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ImageLivro:  O oceano no fim do caminho

Autor: Neil Gaiman

Editora: Intrínseca

Preço: R$18,90 (Submarino)

Classificação : Murro no crânio

Sinopse:

“As pessoas pensam que sonhos não são reais apenas porque não são feitos de matéria, de partículas. Sonhos são reais, mas eles são feitos de pontos de vista, de imagens, de memórias e trocadilhos, e de esperanças perdidas.”Neil Gaiman

Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo.

Resenha

O Oceano no Fim do Caminho é uma fábula extraordinária e reflexiva. O personagem principal (o qual não tem nome) passava por um dia difícil, um ente havia falecido e resolve mudar o caminho, trilhar em direção à sua antiga moradia e à antiga estradinha rural que o levaria à fazenda das Hempstock.

Ali, o personagem reencontra a sua infância, defronte ao lago da fazenda e são essas lembranças que tomarão toda a narrativa. A história é narrada em primeira pessoa e tem seu ponto inicial com a morte de um minerador de opala para o qual o pai do menino havia alugado um quarto de sua casa. Esse homem comete suicídio e a partir dessa morte uma criatura é provocada e invade a vizinhança, tentando dar aos homens dali aquilo que eles mais desejam.

Nesse contexto, conhecemos a família Hempstock, uma família de mulheres, representada pela menina Lettie, sua mãe e avó. Essas mulheres, aparentemente, tem dons especiais: são sensitivas, percebem as criaturas não humanas que existem na natureza. De alguma forma, a criatura entrará na vida do protagonista e teremos um grande conto de fadas, misturado à realidade da infância do personagem, tudo do ponto de vista de uma criança de sete anos.

É parcialmente uma autobiografia de Neil Gaiman, contada por meio de fábula, o que nos leva a admirar a forma como ele trouxe problemáticas de sua infância de uma forma tão mágica, por meio de uma fantasia muito bem contada. Sentimos os medos de infância de Gaiman, percebemos os problemas dele como adulto, a partir da forma adulta do personagem, mas ao mesmo nos deparamos com uma história doce, fantástica, leve. Conhecemos o menino Gaiman, apaixonado pela leitura, introspectivo, sem amigos, mas com uma imaginação exemplar e cheio de sonhos.

É realmente um livro obrigatório. Especialmente àqueles que gostam dessa mistura entre fantasia e realidade e dos questionamentos que ela nos traz. O mundo visto pela criança é um charme da narrativa. Percebemos o que acontece na vida do garoto, mas isso é passado pelo ponto de vista dele para que tiremos nossas conclusões, o que enriquece a história.

A vida torna-se muito mais bonita se alicerçada por nossos sonhos. Porque muitos deles são deixados para trás quando nos tornamos adultos. Mas mal sabemos que somos adultos cheios de medos, sonhos e fantasias de criança escondidos em algum lugar dentro de nós. Basta busca logo ali e trazer a beleza de volta. Sem dúvida um dos melhores do gênero que já li. Encanto por Gaiman!

Trechos escolhidos, com muita dificuldade porque são inúmeros os trechos que gostaria de transcrever aqui…

“Ninguém realmente se parece por fora com o que é de fato por dentro. Nem você. Nem eu.  As pessoas são muito mais complicadas que isso. É assim com todo mundo.” (p. 129)

“Ela chorava e aquilo me deixou constrangido. Eu não sabia o que fazer quando os adultos choravam. Era algo que só tinha visto duas vezes na vida: eu vi meus avós chorarem quando minha tia morreu, no hospital, e vi minha mãe chorar. Eu sabia que os adultos não deveriam chorar, eles não tinham mães que os consolassem.” (p. 141)

“Não tenho saudade da infância, mas sinto falta da forma como eu encontrava prazer nas coisas pequenas, mesmo quando coisas maiores desmoronavam. Eu não podia controlar o mundo no qual vivia, não podia fugir de coisas nem de pessoas nem de momentos que me faziam mal, mas tinha prazer nas coisas que me deixavam feliz.” (p. 169)

Murro no crânio! E voltem com a simplicidade que impregnar nele! Leiam O Oceano no Fim do Caminho.

(Rose)

ImageLivro: Gone Girl: A Novel

Autor: Gillian Flynn

Idioma: Inglês

Edição: Kindle

Páginas: 515

Preço: R$ 19,59 (não sei por que, consegui comprar por R$ 13,96… acho que era uma promoção relâmpago da amazon.com.br)

Classificação: Murro no Crânio!

Uau. Que livro! Comecei a ler a versão em inglês do livro Garota Exemplar por recomendação da Rose, sem querer saber nada da história (morro de medo de spoilers!), apenas com a indicação de que era bom, muito bom.

Infelizmente, passei o olho sobre uma crítica no Skoob e li a palavra “surpreendente”… Péssima palavra para mim, já que minha mente começa a imaginar todas as hipóteses e possibilidades de reviravoltas quando lê essa palavra, e o livro acaba deixando de ser, de fato, supreendente.

No entanto… surpresa! O livro continuou surpreendente! (não se preocupem, nunca mais usarei essa palavra em nenhuma resenha, crítica ou comentário de livro, prometo ;))

Então, em suma, Gone Girl é um livro surpreendente, mas é mais que isso: a trama é interessante, os personagens (Nick Dunne e sua esposa, Amazing Amy Elliot Dunne) são profundos e cheios de nuances, com qualidades e defeitos reais, fazendo com que você os ame e os odeie, em turnos.

Confesso que esperava um outro final, mas depois de pensar melhor, achei genial. Não vou entrar em detalhes para não estragar a leitura (argh, spoilers!), mas espero que minhas impressões sobre esse livro o faça lê-lo. Os outros dois livros da Gillian (essa sim, garota exemplar!) estão na minha lista. Gone girl… um murro no crânio!

Algumas passagens:

“It seemed to me that there was nothing new to be discovered ever again. Our society was utterly, ruinously derivative (although the word derivative as a criticismo is itself derivative). We were the first human beings who would never see anything for the first time. Wes tare at the Wonders of the world, dull-eyed, underwhelmed. Mona Lisa, the Pyramids, the Empire State Building. Jungle animals on attack, ancient icebergs collapsing, volcanoes erupting. I can’t recall a single amazing thing I have seen firsthand that I didn’t immediately reference to a movie or TV show. A fucking commercial. You know the awful singsong of the blasé: Seeeen it. I’ve literally seen it all, and the worst thing, the thing that makes me want to blow my brain out, is: The secondhand experience is always better. The image is crisper, the view is keener, the câmera angle and the soundtrack manipulate my emotions in a way reality can’t anymore. I don’t know thatwe are actually human at this point, those o fus who are like mosto f us, who grew up with TV and movies and now the internet. If we are betrayed, we know the word to say. If we want to play the stud or the smart-ass or the fool, we know the words to say. We are all working from the same dog-eared script. It’s a very difficult  era in which to be a person, just a real, actual person, instead of a collection of personality traits selected from an endless Automat of characters.”

“My thank-yous always come out rather labored. I often don’t give them at all. People do what they’re supposed to do and then wait for you to pile on the appreciation – they’re like frozen-yogurt employees who put out cups for tips.”

(J)